A história é bastante conhecida. Já desenganado, o ministro Sérgio Motta, "homem forte" da campanha vitoriosa e do governo de FHC (com tudo o que isso pode ter de bom e de ruim), disse ao então presidente da República: "Não se apequene".
"Serjão" morreu em abril de 1998. E o governo de FHC, já diminuto em termos de bons propósitos, se apequenou ainda mais.
O caso Daniel Dantas seria uma excelente oportunidade para expôr as entranhas do capitalismo brasileiro. Seria, mas tudo indica que não vai ser. O presidente do STF, Gilmar Mendes, se colocou a favor do banqueiro - claramente. O governo Lula também - envergonhadamente.
O delegado Protógenes Queiroz, responsável pela investigação que levou Dantas para a cadeia (ainda que por algumas horas apenas), está se afastando do caso - e ninguém acredita que seja por vontade própria. Lula e alguns de seus ministros mais importantes deram declarações criticando a "espetacularização" da ação da PF. Se igualaram, e por baixo, aos editoriais da "grande mídia" e aos discursos de alguns políticos e empresários comprometidos até a medula em casos de corrupção.
Se Daniel Dantas está livre, é porque muita gente deve favores a ele. No Executivo, no Legislativo (e em praticamente todos os partidos políticos: PSDB, DEM-PFL, PT, PMDB), no Judiciário. E na imprensa. A "grande mídia" sempre escondeu os negócios escusos de Dantas. Agora, é obrigada a falar deles - mas vincula-os somente ao PT; nunca às traquinagens como as das incensadas privatizações feitas nos tempos em que tucanos e pefelistas dividiam o poder federal.
Desanimador. E o duro é constatar que, com tudo isso, Luiz Inácio Lula da Silva continua sendo o melhor presidente que o Brasil teve desde, pelo menos, João Goulart.
PS - Quem quiser uma cobertura isenta e sem vícios de parte a parte sobre o "caso Dantas" deve acessar sites como o Terra Magazine, o Conversa Afiada, o Vi o Mundo e o Blog do Nassif. Esqueçam a "grande mídia".