FÓRMULA 2: O GRANDE DIA DE ALEX
Houve um dia em que Davi venceu vários Golias. Foi em 1978, durante a etapa do Campeonato Europeu de Fórmula 2 em Nürburgring. A BMW, que fornecia motores e apoiava as duas equipes mais fortes do campeonato (a oficial da March, com Bruno Giacomelli, Marc Surer e Manfred Winkelhock, e a Project Four Racing, de Ron Dennis, com Ingo Hoffmann e Eddie Cheever), apostou alto na vitória e montou um esquema especial de cobertura e divulgação da prova.
O grande astro da corrida, entretanto, foi um piloto que corria com sua própria equipe, com apenas dois mecânicos, sem patrocínio (uma pequena verba dos cigarros Hollywood garantiu as três primeiras provas do calendário; aquela era a terceira) e cujo March era equipado com motor Hart, teoricamente inferior aos BMW. Nada disso influenciou Alex Dias Ribeiro. Logo na largada, surpreendeu a todos e pulou na frente dos até então imbatíveis March-BMW.
As coisas foram acontecendo. Giacomelli tomou a liderança de Alex, mas teve o motor estourado em meio a uma nuvem de fumaça. Winkelhock bateu. Surer rodou e se atrasou. Ingo padeceu de falta de aderência, mercê de uma escolha errada de pneus. Nas voltas finais, a luta (duríssima) pela vitória ficou entre Alex, Cheever e Keke Rosberg, este com um Chevron-Hart da Fred Opert Racing. Alex recebeu a bandeirada com 0.1 s de vantagem sobre Rosberg e 0.6 s sobre Cheever.
O relato dessa vitória é meu trecho preferido do livro "Mais que vencedor", escrito por Alex ao longo de quatro anos e lançado em 1981. Na recente edição revisada do livro, Alex colocou na capa a foto do pódio de Nürburgring. A imagem é reveladora: o brasileiro, sorridente e radiante, levanta o enorme troféu com uma mão, enquanto a outra ajuda a equilibrar em volta do pescoço uma imensa coroa de louros. Rosberg (sem bigode!) e Cheever ladeiam o brasileiro, visivelmente constrangidos. Suas expressões eram de incredulidade com a façanha daquele baixinho atrevido que, praticamente sem recursos, havia conseguido uma vitória brilhante.
Foi uma conquista épica, em uma corrida que jamais foi esquecida por quem a viu. Uma corrida sobre a qual todos os brasileiros mereciam conhecer mais. Naquele dia 30 de abril, Alex Dias Ribeiro foi o melhor piloto do mundo.













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